Tudo que passou por aqui deixou marca.
Abertura de série de 69 segundos, do conceito ao logotipo. É o caso mais completo do pipeline: doze plates dirigidos como imagem estática viram uma sequência inteira, com trilha e cartela-título desenhada.
A câmera nunca mostra o assombro. Mostra o que o assombro deixou.
Folk horror brasileiro contado pelo que ficou para trás. A abertura entrega a prova antes de entregar o fantasma: quem assiste é convidado a ler uma casa abandonada como se lesse um dossiê.
Uma regra decide a sequência inteira: nunca mostrar a presença, só a superfície que ela danificou. Retrato, vidro, fita, reboco, papel fotográfico, madeira, sal, assoalho, emulsão, porta. E a regra tem direção — as marcas escalam do retrato intacto até o talho que rasga a porta.
Cada cena nasce como imagem estática e é resolvida antes de qualquer movimento. A virada está no nono plate: a emulsão fotográfica descola do retrato de família e revela um ponto riscado no reboco — o quadro escondia aquilo desde o primeiro frame.
Desenhado, não escolhido numa fonte. O título escrito no reboco no mesmo vermelho que as últimas marcas sangram — é o que transforma a peça em abertura de série e não em filme de atmosfera.
Cada superfície ganha movimento a partir da imagem já aprovada, e a montagem entrega o crescendo no tempo da trilha. Nada é descoberto aqui — o que se decide na animação é ritmo, não direção de arte.
A câmera nunca mostra o assombro. Mostra o que o assombro deixou.